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    @civonemedeiros

    "A dança do eleitorado" por Sheyla Azevedo

    (Publicado no Novo Jornal, 24 de setembro de 2010)

    Estamos na reta final de mais uma campanha política. Falta pouco mais de uma semana para que os resultados das eleições despontem nas urnas e fi nalmente saibamos quem serão nossos representantes no Executivo e no Legislativo nos próximos anos. Fazia tempo que não via uma campanha política tão desanimada e confusa como essa. Não há discussão ideológica ou qualquer tipo de pulverização de propostas político partidárias. A impressão que se tem é que se continuar o bicho pega, se mudar o bicho come. Os discursos mimetizam velhas promessas e não surge qualquer possibilidade real de mudança efetiva na condição sócio-econômica daqueles que carregam esse país nas costas: os assalariados. A grande maioria dos eleitores que se dirigirão às urnas no domingo, 3 de outubro, o farão cansados, descrentes e preocupados muito mais com a segunda-feira que se aproxima, do que com o resultado eleitoral.

    Parafraseando Hamlet, o que temos são "promessas, promessas, promessas". No ato 3 da peça Hamlet, escrita pelo cânone ocidental, Shakespeare, o próprio diz: "Palavras sozinhas jamais chegam ao céu". E nem é para tanto. Se o povo brasileiro está longe de experimentar as delícias do paraíso, que ao menos tivéssemos o direito de sair do inferno em que vivemos, cujos piores demônios são a violência exacerbada, que justifica o medo e exorta o julgamento e a condenação dos sujeitos com as próprias mãos; e a educação mal das pernas que tem

    transformado nossos sujeitos em analfabetos funcionais, incapazes de fazer questionamentos, interpretações. Aptos apenas em absorver a cultura noveleira que enquato recreia, produza céfalos.

    Vivemos uma política de muito discurso e pouca ação. E isso não é de agora. Mas o que vai fi car de mais marcante na história dessas eleições é virulência dos discursos polarizados. Até os jornais entraram nessa dança eleitoral – partidarizando suas coberturas e assumindo publicamente suas preferências na disputa eleitoral. Se de um lado temos grupos empresariais jornalísticos assumindo suas escolhas – e não vejo nada de mal nisso, é melhor saber a quem serve do que desconhecer para que lado a seta aponta. Do outro, temos um governante-mor estouvado que se presta ao papel de declarar guerra a alguns veículos, como se as preferências, o poder de decisão e as escolhas só fossem boas se estiverem do seu lado.

    Num típico discurso ditatorial e manipulador do "quem está contra mim, está contra o povo". Em ambos os casos, a iminência de uma possível derrota, traz desespero. Porque o que todos querem mesmo é ganhar alguma coisa. Mas, na real, nos fi m das contas mesmo, quem dança –

    e quem perde - é o eleitor. A sua maioria, alheia a essas discussões, alheia aos escândalos que pululam as manchetes, alheios até mesmo às falsas e repetidas promessas de governo.

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