Estamos na reta final de mais uma campanha política. Falta pouco mais de uma semana para que os resultados das eleições despontem nas urnas e fi nalmente saibamos quem serão nossos representantes no Executivo e no Legislativo nos próximos anos. Fazia tempo que não via uma campanha política tão desanimada e confusa como essa. Não há discussão ideológica ou qualquer tipo de pulverização de propostas político partidárias. A impressão que se tem é que se continuar o bicho pega, se mudar o bicho come. Os discursos mimetizam velhas promessas e não surge qualquer possibilidade real de mudança efetiva na condição sócio-econômica daqueles que carregam esse país nas costas: os assalariados. A grande maioria dos eleitores que se dirigirão às urnas no domingo, 3 de outubro, o farão cansados, descrentes e preocupados muito mais com a segunda-feira que se aproxima, do que com o resultado eleitoral.
Parafraseando Hamlet, o que temos são "promessas, promessas, promessas". No ato 3 da peça Hamlet, escrita pelo cânone ocidental, Shakespeare, o próprio diz: "Palavras sozinhas jamais chegam ao céu". E nem é para tanto. Se o povo brasileiro está longe de experimentar as delícias do paraíso, que ao menos tivéssemos o direito de sair do inferno em que vivemos, cujos piores demônios são a violência exacerbada, que justifica o medo e exorta o julgamento e a condenação dos sujeitos com as próprias mãos; e a educação mal das pernas que tem
transformado nossos sujeitos em analfabetos funcionais, incapazes de fazer questionamentos, interpretações. Aptos apenas em absorver a cultura noveleira que enquato recreia, produza céfalos.
Vivemos uma política de muito discurso e pouca ação. E isso não é de agora. Mas o que vai fi car de mais marcante na história dessas eleições é virulência dos discursos polarizados. Até os jornais entraram nessa dança eleitoral – partidarizando suas coberturas e assumindo publicamente suas preferências na disputa eleitoral. Se de um lado temos grupos empresariais jornalísticos assumindo suas escolhas – e não vejo nada de mal nisso, é melhor saber a quem serve do que desconhecer para que lado a seta aponta. Do outro, temos um governante-mor estouvado que se presta ao papel de declarar guerra a alguns veículos, como se as preferências, o poder de decisão e as escolhas só fossem boas se estiverem do seu lado.
Num típico discurso ditatorial e manipulador do "quem está contra mim, está contra o povo". Em ambos os casos, a iminência de uma possível derrota, traz desespero. Porque o que todos querem mesmo é ganhar alguma coisa. Mas, na real, nos fi m das contas mesmo, quem dança –
e quem perde - é o eleitor. A sua maioria, alheia a essas discussões, alheia aos escândalos que pululam as manchetes, alheios até mesmo às falsas e repetidas promessas de governo.


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